A Vela
(Victor Fontana)
Tal como vela
Quem quiser iluminar
Terá de derreter
Pois somente no sofrer
É que se aprende a amar
Amor perfeito
Expresso numa cruz
Pés que foram pregados
Mas deixaram pegadas
Por um caminho que conduz (tal como vela)
Amor completo
Visto no servir
De mãos machucadas
Mas hoje acaloradas
A conforto traduzir (tal como vela)
Amor eterno
Contido num olhar
Que me aceitou
Das trevas me tirou
Trazendo luz do altar (tal como vela)
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Carta aberta a Oadi Salum
Informo que o texto a seguir nada tem a ver com o Marcos Botelho. É uma peça exclusivamente redigida por mim, Victor Fontana. Deixo claro que respeito e admiro o trabalho do professor Oadi Salum. Apenas discordo de sua postura na presente data.
O profeta que hoje se levantou não o fez para prever o futuro, mas para anunciar os males do presente. Infelizmente, a história se repete: ao chegar aos ouvidos do rei, toda mensagem de reprovação é prontamente execrada por aquele que controla o trono e o templo.
Assim, minha oração não é a de Ezequias, a quem Deus concede mais tempo para reinar. Mas que o rei viva mesmo mais 20 anos. E, neste período, reduza-se a arrogância. Desta maneira, quem sabe, poderíamos trabalhar juntos por uma Igreja Presbiteriana que seja relevante para o jovem e para a sociedade. Assim, no final de duas décadas celebraríamos a vitória de Deus e não o triunfo do homem que está certo sobre o que está errado.
A palavra profética, entretanto, continua:
1. A IPB, nos seus moldes mais tradicionais, não é relevante para o jovem. Duvida? Circule pelos campi universitários e pergunte aos alunos se eles ao menos sabem do que se trata o presbiterianismo. Jesus eles sabem quem é.
2. O chamado de Deus é, de fato, para a ação. Ele escolheu se humilhar. Ação. Se fazer homem. Ação. Subir numa cruz. Ação. Ressurgir ao terceiro dia. Ação.
3. A fé reformada é baseada em ação. Ou você vai me dizer que pregar 95 teses na porta de uma igreja é mero exercício teológico?
4. Fé sem obras é morta.
É importante também deixar claro que alguns enganos aconteceram neste dia:
1. Marx nunca descartou filósofos do passado. Ao contrário, sempre admitiu influências. Eu citaria, sobretudo, Hegel e Feuerbach.
2. Nossa argumentação nunca pretendeu ser marxista. E não é. Aliás, apenas buscamos aquilo que os teólogos reformados do passado formularam e defenderam. Ecclesia reformata sed semper reformanda. Calvino, Lutero, pode escolher. Embora eu prefira Paulo de Tarso, tão citado na apresentação.
3. Em momento algum contrapusemos teologia e ação. Ao contrário, afirmamos que teologia leva à ação ou, mais apropriadamente, reação. A teologia de Paulo o levou a ficar de joelhos diante de Deus (Ef. 3.14). Ação.
4. Não atacamos a mensagem. Só expusemos a necessidade de expor de uma maneira diferente. Portanto, a afirmação "permaneço firme na minha fé" é absolutamente falaciosa e meramente retórica.
5. Insisto: ecclesia reformata et semper reformanda. Não tratamos de fides reformata et semper reformanda.
6. A simplicidade da mulher que resiste à complexa pregação do pastor recém-ordenado não seria uma apologia da fé vivida em contraponto ao profundo estudo dos "filósofos e teólogos do passado"? Na sequência, uma apologia da teologia. Discurso paradoxal, para dizer o mínimo.
domingo, 23 de maio de 2010
Poema: Marca da Cruz
Uma frase de uma amiga no Twitter me inspirou a publicar este antigo poema meu, que recentemente tomou forma de canção:
Alegre vou
Não estou sozinho
Firme caminho
A cruz me marcou
Foi se o mesquinho
E toda a tristeza
Da minha natureza
Tudo transformou
Dor se converte em alegria
Quando a culpa em mim se esvazia
Se diminuto fazes melhor de mim
Dobra-me noite e dia
São estas marcas
Que trago comigo
No corpo de um Amigo
Impiaedosas chagas
Para dar ao pobre abrigo
Ao faminto alimento
Ao triste contentamento
No Calvário não há mágoas
Alegre vou
Não estou sozinho
Firme caminho
A cruz me marcou
Foi se o mesquinho
E toda a tristeza
Da minha natureza
Tudo transformou
Dor se converte em alegria
Quando a culpa em mim se esvazia
Se diminuto fazes melhor de mim
Dobra-me noite e dia
São estas marcas
Que trago comigo
No corpo de um Amigo
Impiaedosas chagas
Para dar ao pobre abrigo
Ao faminto alimento
Ao triste contentamento
No Calvário não há mágoas
quarta-feira, 10 de março de 2010
Súplica de um solteiro
Solteiro já há um bom tempo, povoam as minhas orações as conversas com Deus sobre uma futura esposa. Quando e como ela virá. Se virá.
Nesta noite eu me flagrei em um momento de intimidade com o Pai em que saquei algo como se fosse uma súplica que um solteiro deveria fazer sempre. A coisa saiu de maneira meio poética, então achei que valeria a pena publicar por aqui.
Súplica de um solteiro
Deus,
Não quero uma mulher para chamar de minha
Quero antes uma que você chame de sua
Que ela lhe chame simplesmente de "meu"
Pai,
Que ela não seja minha posse, mas permissão
Para enfrentar meus problemas, meu apoio
Para me lembrar de você, a solução
Senhor,
Que eu perceba que ela é privilégio
De, sendo sua, eu poder proteger
Sendo sua, eu poder amar
Deus,
Quero a alegria de José,
Que não duvidou de Maria
Nem quando engravidou de outro - um anjo
Pai,
Quero alguém que eu seja capaz de sofrer junto
Sentir as dores dela, amar amores dela
Quero alguém por quem eu possa orar
Senhor,
Que seja alguém em quem eu lhe veja
Que desperte o fogo que há em mim
Que caminhe comigo até o fim
Nesta noite eu me flagrei em um momento de intimidade com o Pai em que saquei algo como se fosse uma súplica que um solteiro deveria fazer sempre. A coisa saiu de maneira meio poética, então achei que valeria a pena publicar por aqui.
Súplica de um solteiro
Deus,
Não quero uma mulher para chamar de minha
Quero antes uma que você chame de sua
Que ela lhe chame simplesmente de "meu"
Pai,
Que ela não seja minha posse, mas permissão
Para enfrentar meus problemas, meu apoio
Para me lembrar de você, a solução
Senhor,
Que eu perceba que ela é privilégio
De, sendo sua, eu poder proteger
Sendo sua, eu poder amar
Deus,
Quero a alegria de José,
Que não duvidou de Maria
Nem quando engravidou de outro - um anjo
Pai,
Quero alguém que eu seja capaz de sofrer junto
Sentir as dores dela, amar amores dela
Quero alguém por quem eu possa orar
Senhor,
Que seja alguém em quem eu lhe veja
Que desperte o fogo que há em mim
Que caminhe comigo até o fim
domingo, 7 de março de 2010
Salvador
Olho pro verde do mar
Quando vou te adorar
Brisa põe no coração
Um novo batucar
É na levada da onda
Que eu sinto a brisa soprar
Porque de todos é o vento
De todos é o mar
Meu Deus não é pra poucos
Meu Deus é para o povo
Rico, Ele se fez pobre
Desceu e virou povo
Quando vou te adorar
Brisa põe no coração
Um novo batucar
É na levada da onda
Que eu sinto a brisa soprar
Porque de todos é o vento
De todos é o mar
Meu Deus não é pra poucos
Meu Deus é para o povo
Rico, Ele se fez pobre
Desceu e virou povo
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Conto da Cripta: Descobertas
Eu tinha 12 anos quando dei o meu primeiro beijo. Era uma menina mais velha. Filha do pastor, 14 anos, Luana. Cresci, fiquei muito mais próximo da igreja do que ela, que na semana passada se declarou homossexual. Fiquei sabendo hoje.
Por um instante pensei: "acho que não fui um bom primeiro beijo". Num segundo momento: "Nem a pau que fui o primeiro beijo dela". Uns 15 minutos depois disto: "Será que estou sendo homofóbico? Não, não. Ela chegou a me dizer que já tinha beijado outros garotos".
No fim das contas, sou só um gordinho inseguro.
Pego o telefone e ligo para ela. "Você já deve saber o que penso sobre homossexualidade. Não vou falar sobre isso. Quero apenas dizer que Deus te ama, embora não aprove tudo que você faz. Quero dizer que estou disponível para conversar e continuo seu amigo".
Fui o único a ligar até agora. Nem o pai telefonou. Como sou ridículo. Fico tentando mudar a religião, coisa que nem Jesus conseguiu ou mesmo tentou fazer.
*Os Contos da Cripta deste blog são histórias fictícias de gente que está tentando morrer um pouquinho para que Cristo viva. É ficção, mas pode acontecer com qualquer um.
Por um instante pensei: "acho que não fui um bom primeiro beijo". Num segundo momento: "Nem a pau que fui o primeiro beijo dela". Uns 15 minutos depois disto: "Será que estou sendo homofóbico? Não, não. Ela chegou a me dizer que já tinha beijado outros garotos".
No fim das contas, sou só um gordinho inseguro.
Pego o telefone e ligo para ela. "Você já deve saber o que penso sobre homossexualidade. Não vou falar sobre isso. Quero apenas dizer que Deus te ama, embora não aprove tudo que você faz. Quero dizer que estou disponível para conversar e continuo seu amigo".
Fui o único a ligar até agora. Nem o pai telefonou. Como sou ridículo. Fico tentando mudar a religião, coisa que nem Jesus conseguiu ou mesmo tentou fazer.
Conto inspirado na família do Rei Davi e na vida de Esera Tuaolo, jogador da NFL que assumiu sua homossexualidade ao se aposentar. Tuaolo só recebeu ligação de um ex-colega na ocasião. Craig Sauer, cristão, disse de forma exemplar: "Você sabe que eu discordo da sua posição, mas você é como meu irmão. Se você é capaz de aguentar saber que vivemos discordando, ainda seremos amigos"
*Os Contos da Cripta deste blog são histórias fictícias de gente que está tentando morrer um pouquinho para que Cristo viva. É ficção, mas pode acontecer com qualquer um.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Poema: Maconha Santificada
Talvez o que eu escrevi abaixo escandalize alguém. Peço a estes que se escandalizem com o que merece, de fato, nosso repúdio. O poema é inspirado em artigo do Rev. Digão, publicado no Genizah.
Maconha santificada
Vamos todos nos dopar
Nosso mestre-traficante
Seu nome idolatrar
Se na Graça a gente pisa
Nosso ópio a mente frisa
Sacerdotisa: grana e cobiça
Vamos nos alienar
Porque o ungido do Sinhô
Chegou pra abençoar
Vamos nos amordaçar
Calar, cegar
E o Evangelho achincalhar
Quem precisa de cruz?
Ou de humildade?
Sou filho do Rei
Já ganhei prosperidade
Restitui,
Quero de volta o que é meu
O barato tá passando, adeus!
E finalmente caio em mim
De direito meu: só fogo eterno
Sou mais um indo para o inferno
Maconha santificada
Vamos todos nos dopar
Nosso mestre-traficante
Seu nome idolatrar
Se na Graça a gente pisa
Nosso ópio a mente frisa
Sacerdotisa: grana e cobiça
Vamos nos alienar
Porque o ungido do Sinhô
Chegou pra abençoar
Vamos nos amordaçar
Calar, cegar
E o Evangelho achincalhar
Quem precisa de cruz?
Ou de humildade?
Sou filho do Rei
Já ganhei prosperidade
Restitui,
Quero de volta o que é meu
O barato tá passando, adeus!
E finalmente caio em mim
De direito meu: só fogo eterno
Sou mais um indo para o inferno
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