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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rick Wakeman: do alcoolismo ao cristianismo

Rick Wakeman, tecladista do Yes! confessa sua fé logo nos agradecimentos de seu livro autobiográfico (Say YES!):

Mildred Wakeman, who brought me to life
Cyril Wakeman, who shaped my life
Nina Wakeman, my partner in life
and Jesus, who gave me life



Rick Wakeman em show (Foto de Tim Ellis, sob licensa Creative Commons Attribution-Share Alike 2.0)



Para voltar a postar no blog, escolhi falar do aniversário de 60 anos do meu tecladista favorito. Um dos líderes do Yes!, banda de Rock Progressivo, ele gravou com Ozzy Osbourne e Black Sabbath, além de Elton John, Alice Cooper, Cat Stevens, David Bowie, entre outros.

Seu ingresso ao grupo britânico veio em 1971. A renovação de seus votos de fé ao cristianismo aconteceu em 1974. Desde o final dos anos 60, o tecladista lutava contra o alcoolismo, que já o tinha levado a alguns ataques cardíacos na época.

De lá para cá, o combate ao vício terminou, com um Wakeman vitorioso, que se torna sexagenário nesta segunda-feira. Para quem quer saber mais desta "Jornada do centro da terra até o céu", clique aqui.

Para um ótimo trabalho de música cristã de Rick, clique aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Um Jesus pictórico

Muitos têm buscado o Jesus histórico nos últimos tempos. Querem saber se podemos confiar nos relatos dos evangelhos canônicos, desejam compreender o que está escrito e como foram concebidos os apócrifos ou pseudo-epígrafos. Dizem: “E este novo evangelho de Judas?”.

O que me surpreende é que não vejo o mesmo entusiasmo na busca por um Jesus pictórico, talvez pitoresco. O Jesus gracioso, envolvente e cativante, do “deixe que venham a mim os pequeninos”. O Cristo das gravuras infantis, do sorriso paterno e da misericórdia infindável. O Messias que nega a possibilidade de subir ao trono e se doa e que é Senhor da inclusão, do amor, da justiça social.

No ‘mundo’, busca-se um Jesus histórico. Na ‘igreja’, se fala de um Emanuel abstrato, cuja importância está no nascimento, na morte e na ressurreição, muitas vezes relegando ao esquecimento seu ministério de três anos na terra.

Nas telonas do cinema, em cartaz, vê-se um Aslan, o pitoresco, a gravura, a expressão artística de um Emanuel vívido e vivido por C.S. Lewis. Um verdadeiro ‘Deus Conosco’, que mostra ao Príncipe Cáspian e aos outros aquilo que ele realmente quer: relacionamento sincero. No seu rugido, sua justiça. Na sua imponência de leão, o reconhecimento de quem, factualmente, ele é. Na ternura de atitudes e expressões, ainda que um selvagem felino, ele revela como o rei é cheio de misericórdia.

Leitor, sugiro que você visite a sala de cinema mais próxima e descubra como narnianos podem se assemelhar ao povo de Israel nos momentos do exílio. Como os telmarinos se assemelham à raça humana em muitos aspectos. Enfim, faça as suas próprias descobertas pictóricas.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O Acre existe

Há exatos 16 anos, no dia 28 de fevereiro de 1992, o julgamento de Darli Alves da Silva era anulado. Se isto não te diz nada, como brasileiro e cristão, recomendo que você leia atentamente os parágrafos abaixo.

Zuenir Ventura e a questão da borracha

Duas décadas após sua morte, Chico Mendes continua atual. É isto que mostra o livro de Zuenir Ventura, Chico Mendes – Crime e Castigo.

Com três viagens ao Acre, o repórter conta, com riqueza de detalhes, a história do assassinato do líder seringueiro em três fases distintas: O crime (o assassinato em si), o castigo (o julgamento dos assassinos) e 15 anos depois (como se encontram os personagens e o estado acreano após uma década e meia do homicídio sofrido pelo defensor das matas).

O autor, ao longo da obra, trata de mostrar como o sindicalista e ativista ambiental Francisco Alves Mendes Filho colocou o Acre, um estado distante, em pauta nas discussões nacionais e internacionais.

Não se trata de um panfleto em defesa da preservação ecológica, mas de um relato, ainda que não seja isento, de como a luta dos seringueiros atrapalhou os fazendeiros da Amazônia, culminando com a morte de seu principal líder.

A influência de Chico Mendes fica evidenciada pelo jornalista, que coloca na boca de Mary Helena Allegretti, antropóloga que lançou o seringueiro internacionalmente, o resultado do trabalho dele.

"Agora, os seringueiros são protagonistas de sua própria história e eu também sou da minha. É uma crítica aos intelectuais que têm que começar a entender que o Brasil não é só Rio e São Paulo. Mas para isso, tem-se que fazer uma revolução dentro de si mesmo", diz ela sobre a causa que defende.

Nos capítulos finais do livro, o autor mostra como Acre mudou após a morte do mártir, que defendia os povos da floresta, mas deixa claro que a questão amazônica continua.

"No Ranking dos estados da Amazônia Legal que mais desmatam, no período 1998-2002, o Acre ocupa o sétimo lugar, entre nove pesquisados, o estado seria responsável assim por 2,7% da área desmatada, perdendo apenas para Roraima (1,1%) e Amapá (0,3%). O primeiro colocado seria o Pará com 33,9% de desmatamento."

Dois anos após o lançamento do livro, em fevereiro de 2005, não por acaso, o Pará foi alvo de situação similar a de Chico Mendes. A Irmã Dorothy, presente na Amazônia desde a década de setenta, foi assassinada.

Ela mantinha um trabalho junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu, visando a minimização dos conflitos fundiários do local, além de tentar aliar geração de emprego e reflorestamento do local. O crime deixa claro que o tema Chico Mendes ainda é atual.

Além de colocar a discussão da sustentabilidade das atividades econômicas na floresta amazônica, o livro de Zuenir Ventura também é um exemplo de apuração bem-feita e de valorização dos personagens secundários.

Por meio de desconhecidos, como Genésio Ferreira da Silva, uma das principais testemunhas do crime ou do médico Efrain Mendoza Mendivil, que teria ouvido o anúncio da morte de Chico cinco dias antes do assassinato, o autor vai desvendando aos poucos cada mistério em redor do homicídio.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O fim dos tempos no cotidiano

E se a Igreja vivesse tentando reproduzir o que será o céu? Certamente seríamos luz no mundo e sal da Terra. Isso é o que sugere A Escatologia, Russel Shedd, Shedd Publicaões, 38 páginas.

Desde 1962 no Brasil, o Dr. Shedd se tornou uma referência em diversas áreas da teologia, tratando com profundidade de temas complexos como a escatologia (doutrina dos últimos tempos). Quem espera, entretanto, um estudo amplo do tema pode ficar decepcionado com esta pequena publicação.

Nas poucas páginas do livro, o autor discorre sobre como a perspectiva da breve segunda vinda de Jesus pode e deve influenciar a vida do cristão, sem, entretanto, entrar em méritos polêmicos levantados nesta questão. Mesmo com a aparente superficialidade, Shedd não desaponta e dá ao crente reformado uma visão abrangente dos motivos pelos quais devemos desejar que o Cristo retorne em breve.

Usando como base a expectativa da igreja primitiva de que a segunda vinda estava muito próxima, o missionário mostra que pensar em escatologia da forma correta nos leva a desejar viver em novidade de vida, além de pregar o evangelho com maior entusiasmo. Em suma, há no texto um forte estímulo a trazermos para o nosso dia-a-dia a glória futura que nos espera.

“A visão bíblica do cristianismo não coincide com a idéia de um novo convertido simplesmente unir-se a uma igreja e então esperar pelo fim. Ao invés disso, como alguém que possui vida eterna, ele esforça-se para fazer, da realidade futura, sua experiência presente”, afirma o autor na conclusão do livro.

É, sobretudo, esta a grande contribuição que o livro traz para o cristianismo. Uma exortação de que a igreja, como noiva de Cristo, seja um reflexo no tempo atual do universo redentor que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Resgatando desapontados

Após ver algumas coisas decepcionantes no YouTube, como Gideões Missionários e unções de leão, resolvi deixar aos leitores do blog uma sugestão de leitura: Decepcionados com a Graça.


Não se engane pelo título do livro, achando que Paulo Romeiro traz neste escrito algo similar a Decepcionados com Deus de Philip Yancey. O que se vê na obra deste autor brasileiro – que também já publicou SuperCrentes e Evangélicos em Crise – é uma bela análise das decepções que o movimento neopentecostal tem produzido, além de tentar uma proposta pastoral que dê conta de trazer de volta as ovelhas afugentadas pelas falsas promessas da confissão positiva.


Baseado na tese de doutorado do autor, Decepcionados com a Graça espanta pela quantidade de referências bibliográficas, típicas de um trabalho acadêmico. Com 204 obras em sua bibliografia, são raras as páginas do livro que não contam com uma nota de rodapé ou uma citação. Assim, Romeiro conta com uma boa fundamentação para o trabalho ousado que tenta fazer, de reconstrução histórica e teológica do movimento evangélico carismático no Brasil.


Apesar do rigor de academia que o texto evidentemente traz, sua leitura está longe de ser difícil. A clareza e a objetividade permeiam todo o livro, que mostra um acurado distanciamento crítico do autor, permitindo ao leitor leigo absorver com facilidade não apenas os conceitos pretendidos no discurso, mas também os dados históricos presentes em toda a argumentação de Romeiro.


Com um tema que promete polêmica, este título é surpreendentemente imparcial em seus primeiros relatos. O autor passa mais da metade da obra discorrendo sobre as origens do pentecostalismo e apontando os traços de brasilidade que o movimento neopentecostal acabou adquirindo. Tudo é contado de um ponto de vista histórico e são poucas as vezes em que Romeiro toma algum partido ou opina em alguma questão teológica.


A coisa só começa a ficar diferente depois de muitas páginas já lidas. É a partir do sétimo capítulo, quando o leitor já adquiriu bagagem teórica, que o autor passa a expor sua opinião e explicar como as doutrinas contemporâneas têm contribuído para a decepção de muitos. A partir daí o livro ganha uma outra dinâmica e passa a propor a solução pastoral para um início de milênio em que as igrejas históricas crescem pouco, enquanto as neopentecostais se expandem, mas gerando uma multidão de decepcionados.