quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Poema de Bono Vox a Billy Graham


Eu não gosto muito de traduzir poemas. Acho uma tarefa complicada trazer o sentimento expresso em uma língua para outro idioma. Perde-se muito do sentido original. De qualquer forma, li algo que achei muito bonito e vou publicar por aqui em inglês mesmo:

"The journey from father to friend
is all paternal loves end.
it was sung in my teenage ears
in the voice of a preacher
loudly soft on my tears
I would never forget this
melody line
or its lyric voice that gave my life
a rhyme,
a meaning, that wasn’t there before.
a child, born in dung and straw
with The Fathers love and desire to explain
how we might get on with each other again…."

for The Rev. Billy Graham (that preacher)
Ruth and all the Graham Family
from Bono (March 11 2002)
with much love and respect….

Carta de Bono Vox, do U2, ao evangelista e pastor Billy Graham. Os créditos de publicação vão para o meu amigo recente Kevin Hendricks, diretor do Laboratório de Comunicação para Igrejas e responsável pela inserção da Associação Evangelística Billy Graham na Internet.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pregadores precisam de ajuda para comunicar melhor. Não é pecado admitir.

Na última sexta-feira fui a um evento de jovens uma Igreja Presbiteriana em São Paulo. Ouvi um típico sermão fora de contexto. Na essência, o pregador estava correto. Falou sobre unidade e como o povo de Deus deve adorar em conjunto, independentemente de idade.

Soou anacrônico. Críticas (discutíveis) às igrejas só de jovens. Mais uma vez assisti a um discurso contra comunidades como a Bola de Neve. Não vou discutir se os ataques foram ou não justos. Injusto foi submeter à exortação um público que pouco tem a ver com a realidade das supostas igrejas “só de jovens” – se é que existe alguma.

Parecia aquele professor que não deixa o menino atrasado entrar na sala de aula e logo depois dá um discurso sobre pontualidade. Ora, aqueles que estão dentro da sala são os pontuais. Não precisam ouvir aquele sermão.

No sábado, em conferência que o Christian Post cobriu no Reino Unido, o pastor Stephen Gaukroger falou algo que vem ao encontro deste episódio – motivo, inclusive de uma série de posts sobre sermão neste blog:

"Há pessoas aos montes em nossas igrejas que precisam desesperadamente de ajuda em suas maneiras de pregar. Acham que sabem fazer sermões, mas falham em ser atraentes, bíblicos e bons comunicadores"

Em drops sobre sermão, sempre publicaremos dicas rápidas de bons pregadores para ajudar quem quer ser ajudado a falar melhor em público, comunicar o Evangelho com mais eficiência.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Marketing pode melhorar os sermões

Se para Sam Giere, noção de mundo gera um bom sermão, para Kevin Hendricks, teríamos pregadores muito mais eficientes se nossos pastores estudassem técnicas de comunicação em público e marketing.

Hendricks é diretor do Laboratório de Comunicação para Igrejas nos EUA e responsável pela inserção da Associação Evangelística Billy Graham na Internet. Ele é um de uma série de pessoas que tenho entrevistado, em busca de bom material sobre desafios para a comunicação do Evangelho.

Aqui você vê um pequeno trecho da entrevista, que em breve será publicada na íntegra em outro espaço.

"Ouviríamos melhores sermões nos domingos se pregadores estudassem marketing? Não tenho dúvidas. Eu bloguei no ChurchMarketingSucks sobre um site chamado Pesentation Zen. É uma ferramenta sobre como fazer melhores apresentações em público. Eu argumentei que as mesmas dicas se aplicam à pregação. Se pastores se aprimorassem, usando técnicas comprovadas de apresentação, veríamos melhores resultados e pregações mais envolventes"


Estes dias estava pensando que ninguém prega mal porque quer. Todo pastor deseja pregar bem, ou não? Acho que o problema não está em pregar bem ou mal. É estarmos satisfeitos com aquilo que pregamos, com o modo, com o método. Conformados.

Na verdade, deveríamos perceber que sempre há espaço para melhorar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poema do cristão cult pós-moderno

Baseado nas 10 atitudes para tornar-se um cult da espiritualidade pós-moderna, postado por Genizah, via Teologia Pentecostal via Pastor Julio Soder.

Cabe aqui a manifestação de que provavelmente me encaixo em boa parte do que dizem ser um "cult da espiritualidade pós-moderna". Gosto dos livros do Brian McLaren, por exemplo. Entretanto, acho saudável a crítica de muito do que faço.

Poema do cristão cult pós-moderno
(por Victor Fontana)

Eu prefiro ser
Uma metamorfose ambulante
Inda que eu caia
Num oximoro ululante
Porque entre ortodoxo
E heterodoxo
Sou mais o paradoxo
Sou parte da maré
Que rema contra a maré
É moda ser contra a moda
Você sabe como é
Sou a igreja sem religião
E quando de mau humor
Sou sem Cristo um cristão
Prego tolerância e amor
Com ódio e transgressão
Ofendo e escandalizo
Em nome da missão?

Eu gosto de chamar isto de relevância da cruz

Um Poema de Gióia Júnior:

INTERLÚDIO I

Ah! noite aquela em que Ele foi traído!
e foi abandonado e foi moído
por minhas transgressões! Ah! noite aquela,
dura e profunda, silenciosa e bela!
de uma beleza trágica e voraz!
De ti, oh, noite, vem a nossa paz...
De tua escuridão irrompe a luz
nasce o perdão, desperta a fé, emerge a cruz.

Relevância da cruz é o que eu acho que este poema deveria se chamar. Gióia, na sua genialidade, chamou de Interlúdio I.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Contos da Cripta: A Reforma


Não falo de reforma protestante. Menos ainda das reformas política e fiscal, que o País tanto precisa. Estou falando do rapaz do apartamento ao lado mesmo. Martelos e pregos, alicates e marretas, ruídos e tremores, meu sossego acabou.

Pior que isso é a cara de cachorro babão que o pintor faz quando a minha mulher sai de casa para trabalhar. Pra essa gente parece que mulher é só um pedaço de carne. Mas também, a quem eu quero enganar? Nas praias da Riviera de São Lourenço não passo de um Jorginho sofisticado. Jorginho é o nome do pintor.

Quando você acha que está tudo ruim, a coisa pode ficar mais sórdida. É sempre assim. O garoto filho de papai que comprou o apê do lado ainda está na faculdade. Festa toda sexta. Até aí tudo bem. O problema é que ele mata as aulas de quinta. Então tem bebedeira e futebol na quarta também. Com a sala remodelada, aposto em mais farra nos próximos meses.

Ou seja, Galvão Bueno em Home Theater e Surround. Isso quando não for um daqueles narradores genéricos do pay-per-view. “Gol do Vila Nova! Parece que é mais um passo para o rebaixamento do Atlético Goianiense!”. Ah, o inferno que são os campeonatos estaduais.

Enquanto o inferno não chega, tenho que aturar martelos e pregos, alicates e marretas, ruídos e tremores. Estou colocando meu macacão azul. Vou dar uma mão para o pintor. Assim, a reforma acaba mais rápido e da minha casa só ouço o Campeonato Brasileiro mesmo.

Uma mão de tinta na parede da cozinha e deixo uma Bíblia com Jorginho. Bato uma foto minha com o pintor e imprimo. A imagem vai dentro de outra Bíblia. No verso, um recado para o vizinho: "ajudei em sua reforma com uma mão de tinta, espero que termine logo".

Quem sabe assim ele me chama para assistir a rodada dos estaduais na quarta-feira. Se não chamar, pelo menos abreviei a saída de Jorginho e seus olhos que acompanham minha esposa.

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*Os Contos da Cripta deste blog são histórias fictícias de gente que está tentando morrer um pouquinho para que Cristo viva. É ficção, mas pode acontecer com qualquer um.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A visão de Walter Brueggemann sobre a relevância da nossa mensagem

Recentemente, troquei e-mails com o Dr. Walter Brueggemann, em busca de uma visão lúcida a respeito de comunicação, púlpito e pós-modernidade. Já esperava bons insights de um homem com um currículo como o dele, mas fiquei particularmente impressionado com a seguinte frase:

"Temos que manter a nossa fala próxima da realidade e distante de toda a abstração. Temos que evitar a coerção. Simplesmente possuímos uma verdade diferente para dizer a respeito das nossas vidas e devemos contar isto para que as pessoas vejam o quanto há de relevância. A igreja tem sido muito distante da realidade vivida, enquanto a Bíblia nunca é remota".


Com isto, ele me respondeu à pergunta: como fazemos para que a nossa mensagem se destaque no meio de tanta informação que recebemos nos tempos atuais? Como ser relevante?

Quanto conteúdo em tão poucas linhas. Vou organizar isto em rápidos tópicos:

- Manter a fala próxima da realidade, distante da abstração. Já reparou como alguns sermões são chatos e longos, com explanações de conceitos complicados que chegam a doer no ouvido? Conceitos são bons, mas devem estar próximos do nosso cotidiano. Que tal usar uma história bíblica que ilustre um conceito e mostrar como esta história se repete na nossa vida?

- Evitar a coerção. "Jovem, pense no seu namoro! Desse jeito você vai para o inferno!". Evite esse tipo de frase. Sermões são mais úteis quando nos apontam uma alternativa viável ao mal. Simplesmente apontar o que é errado é muito fácil. Difícil é encorajar a fazer o bem.

- Contar a verdade. Jesus sabia que a verdade era um caminho poderoso para a relevância. Tanto que vinculou a santificação dos discípulos ao conhecimento da verdade na oração sacerdotal (João 17.17).

- A respeito de nossas vidas. Não existe relevância no nosso discurso se não vivemos aquilo que pregamos. Brueggemann é genial quando diz "verdade a respeito de nossas vidas" e não apenas "verdade sobre a vida". Evangelho bom é evangelho vivido.

- A Bíblia nunca é remota. Walter Brueggemann é um dos maiores estudiosos do Antigo Testamento que o mundo protestante já conheceu. Para ele, é natural afirmar que a narrativa da Escritura diz muito ao nosso cotidiano. Ele tem razão. Problemas entre pais e filhos, desigualdade social, preconceito, questões econômicas, discussões sobre Direito e Estado, entretenimento. Está tudo lá.

*Walter Brueggemann é autor de mais de 60 livros. O mais famoso deles no Brasil é provavelmente Imaginação Profética. Ele coleciona títulos acadêmicos e tem como trabalho mais notável o de professor de Antigo testamento por mais de uma década no Columbia Theological Seminary.